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21-02-2018 15:53

Retrato do Cristão

Tempo de renovação espiritual. Tempo da Quaresma. Tempo de examinar nosso perfil cristão. Tempo de exame. Tempo de combate e de luta.  Sirva de ponto de partida para nossa caminhada quaresmal este texto de homilia de um autor espiritual do século IV, verdadeira joia tirada do baú da tradição da Igreja. O cristão maduro é guiado pelo Espírito.

Todos os que são considerados dignos de se tornarem filhos de Deus e renascerem do alto pelo Espírito Santo, trazendo em si a Cristo –  que os Ilumina e regenera  –  são guiados de diversos modos pelo Espírito e conduzidos invisivelmente pela graça, tendo no coração a paz espiritual.

Às vezes, desfazem-se em lágrimas e gemidos pela humanidade, pelo gênero humano elevam preces e choram, ardendo de afeto por todos os homens.

Outras vezes, de tal maneira se inflamam pelo Espírito, com tamanho entusiasmo e amor que, se possível fosse, acolheriam em seu coração todos os homens, sem distinção entre bons e maus.

Entretanto, outros, pela humildade de seus espíritos, colocam-se abaixo de todos, julgando-se os mais abjetos e desprezíveis.

Por vezes são guardados pelo Espírito numa alegria inefável.

Ora, eles são como um valente, que, revestido com toda a armadura do rei, desce para o combate e luta contra os fortes inimigos e os vence.  Assim o homem espiritual, munido com as celestes armas do Espírito, ataca os adversários e, no fim da peleja, calca-os aos pés.

Ora, em absoluto silêncio, repousa a alma em paz e sossego, entregue unicamente ao gozo espiritual e a uma paz indizível, no perfeito contentamento.

Por vezes, por certa compreensão e sabedoria inefável e conhecimento secreto do Espírito, é instruído pela graça  sobre coisas que a língua não consegue dizer.

De outras vezes é como qualquer pessoa.

E assim, a graça habita e age de várias maneiras na alma, renovando-a conforme a vontade divina, provando-a de modos diferentes  para torná-la íntegra, irrepreensível e pura  diante do Pai do céu.

Oremos, então, também nós a Deus, oremos no amor e imensa esperança de que ele nos concederá a celeste graça de seu Espírito. A nós também o próprio Espírito nos governe e leve a realizar toda a vontade divina e nos restaure com a riqueza de sua paz a fim de que, conduzindo-nos e fazendo-nos viver sempre mais em sua graça e progresso espiritual, nos tornemos dignos de alcançar a perfeita plenitude de Cristo, segundo disse o Apóstolo: Para que sejais plenificados com toda a plenitude de Cristo.

Liturgia das Horas III, p. 139-140



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